SIMPÓSIOS TEMÁTICOS

 Submissão na modalidade: Comunicação oral. Período da submissão: 12/11/2018 a 15/01/2019

SIMPÓSIO 01 – CILADAS E SAÍDAS DO TEXTO LITERÁRIO NO NORTE OITOCENTISTA

Coordenadores: Valdiney Valente Lobato de Castro (UFPA) & Maria Lucilena Gonzaga Costa (UFPA)

Uma breve análise em quaisquer das histórias literárias disponíveis no mercado editorial já revela o quanto a Literatura da Região Norte detém um espaço diminuto, o que pode projetar a ideia de pouca manifestação literária produzida. No entanto, na segunda década do século XIX, Belém já alavancada pela força da extração da borracha, lança seu primeiro jornal e a partir daí surgem as publicações literárias nas colunas folhetins, tanto de autores da própria região quanto de autores portugueses que mantinham assídua colaboração nos jornais paraenses. Se o Rio de Janeiro torna-se a Cidade da Corte, Belém também se populariza, recebendo, principalmente após a Revolta da Cabanagem e com a economia da borracha, uma grande leva de imigrantes e, consequentemente ampliando também sua estrutura. De igual modo, no final do século XIX, Manaus desenvolve-se, crescendo em quantidade de habitantes com a chegada de imigrantes de vários destinos. Obviamente que a maior parte das relações estabelecidas entre os editores, escritores e leitores é desconhecida, mas certamente assinalada por ciladas para o leitor como a interrupção das histórias periódicas ou o preço hostil do suporte; para o escritor, muitas vezes preso em contratos desfavoráveis ou pela inexistência de leis autorais que lhes assegurassem seus direitos; ou ainda para o editor, que precisava de bons colaboradores para manter o interesse pelo periódico. Apesar dessas peculiaridades, nas cidades do norte, distantes do pólo econômico e letrado do país, a leitura fazia sucesso, garantindo vasta produção literária. A proposta desse simpósio é congregar estudos acerca das publicações oitocentistas na região norte, voltados à produção, editoração, trajetória, circulação e/ou recepção dos textos literários escritos nas colunas folhetins ou em outros suportes, a fim de compreender/recuperar as histórias das edições e publicações dessas obras, bem como desenhar um perfil dos escritores, editores e leitores do/no norte oitocentista.

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SIMPÓSIO 02 – DA CRIAÇÃO À OBRA DE ARTE: INVESTIGAÇÕES EM FONTES E DOCUMENTOS DE PROCESSO EMARTES E LITERATURA

Coordenadores: Luciane Viana Barros Páscoa (UEA) e Márcio Leonel Farias Reis Páscoa (UEA)

De acordo com Biasi (2002), o modelo de análise genética que decorre dos estudos dos manuscritos literários modernos pode estender-se a outras manifestações da criação artística. A musicologia, por exemplo, beneficia-se de uma antiga tradição de pesquisa de manuscritos e, assim como para a filologia literária, a exigência de se editar o patrimônio histórico de modo historicamente informado logo se traduziu na necessidade de recorrer aos documentos autógrafos e elaborar um método de interpretação. As pesquisas em musicologia genética não se limitam ao registro escrito, pois, a partir 1967, o Centre d’Iconographie Musicale de Paris dedicou-se ao estudo das representações da música através das imagens, relacionando a organologia, a produção sonora, os aspectos técnicos, sociais e simbólicos. O campo do cinema e do audiovisual combinam nos documentos de processo os constituintes textuais, literários ou didascálias, os elementos cênicos e dramatúrgicos, assim como os elementos visuais, sonoros e musicais. No âmbito das artes plásticas, percebe-se uma antiga tradição de estudos genéticos, pois o interesse pelos croquis, esboços, arrependimentos e desenhos preparatórios dos artistas é tão grande quanto o interesse por suas obras acabadas. Na dança, a recuperação de partituras coreográficas inspiraram a reconstrução de montagens emblemáticas. Este simpósio tem por objetivo discutir e abrigar os trabalhos de pesquisa que abordem os processos de criação artística e literária com as interfaces possíveis no âmbito das artes visuais, artes cênicas, iconografia musical, ópera e literatura, transcrição e análise musical sob o viés criativo, além das relações interdisciplinares entre as artes e a literatura, imagens e poesia, por meio do estudo das fontes primárias e documentos de processo. Partindo do princípio deque as obras artísticas e literárias podem ser analisadas de maneira sincrônica e diacrônica (CALABRESE, 1998), serão bem-vindas as seguintes abordagens: hermenêutica, intertextual, iconográfica e iconológica, em consonância ou em confronto com a crítica genética.

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SIMPÓSIO 03 – TRADUÇÃO CULTURAL, MEMÓRIAS E REPRESENTAÇÕES: NARRATIVAS ORAIS E ESCRITAS SOBRE A AMAZÔNIA

Coordenadores: Helio Rodrigues da Rocha (UNIR) e Francisco Bento da Silva (UFAC)

Muitas áreas do conhecimento, em especial as Ciências Sociais e os Estudos da Linguagem, têm se voltado para a gravidade do ‘projeto de representação’ das alteridades’, e assim, cada vez mais, aumenta o número de pesquisadores interessados nos estudos de tradução, de(s) cultura(s), dos mitos, das línguas indígenas, dos processos de construção de narrativas de diversos gêneros literários e de suas implicações históricas, políticas, éticas, morais; dentre outras. É sobre essas ‘representações’, em sua maioria textualizadas por escritores outsiders, que este Simpósio Temático se debruçará, pois pretende reunir estudiosos para se discutir alguns problemas de cunho teórico, moral, ético, político, econômico, etc., construídos em tais representações discursivas sobre a pan-amazônia. As Amazônias, desde sempre, vêm sendo ‘inventadas’ e ‘reinventadas’ sob inúmeras falácias, estereótipos, miopias, hipérboles, ufanismos, ‘ficções homogeneizantes’, ‘tipificações bestificantes’ sobre as sociedades amazônicas dos observados; discutir o modo e o porquê dessa ou daquela representação sobre o ‘homem amazônico’ faz-se, portanto, necessário. Diante de tais espelhamentos discursivos, neste Simpósio serão bem-vindas todas as discussões que tratem de questões voltadas para a ‘cultura do Outro’, do homem amazônico, em seus inúmeros desdobramentos e interesses de estudos voltados para a descolonização de tais políticas de representações.

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SIMPÓSIO 04 – LEITORES EM TRÂNSITO, MARGENS EM CONEXÃO: LUGARES E CENAS DO ENSINO DE LITERATURA NO CONTEMPORÂNEO

Coordenadores: Gisela Maria de Lima Braga Penha (UFAC) e Amilton José Freire de Queiroz (UFAC)

Este simpósio tem por objetivo abrigar pesquisadores que compreendam o texto literário como lugar de múltiplos gestos intersemióticos, bem como elejam a prática de ensino da literatura enquanto multiterritorialidade intertextual, intercultural, interdisciplinar e transdisciplinar, fomentando o diálogo entre Teoria da Literatura, Literatura Comparada, História da Leitura, Estudos Pós-Coloniais no circuito das Literaturas de Língua Portuguesa. Destarte, serão aceitas propostas de comunicação que rondem a atmosfera da hipótese de que o lugar e a cena do ensino da literatura no contemporâneo franqueia a cartografia de um espaço singular onde o plural pontifica a mobilidade e a opacidade da “literatura-devir” na geografia da mediação entre escritor, texto e leitor. Com essas bússolas tradutórias do contexto da “política de pesquisa para as margens”, o simpósio busca, portanto, realçar o “prazer do texto”, os “outros espaços”, o “direito à literatura”, a “polifonia”, o “dialogismo”, os “multiletramentos”, a “literatura: para quê?”, a “teoria como ficção”, a “linguagem e à sociedade” dos fluxos contemporâneos. Através dessas coordenadas, espera-se, finalmente, que este simpósio seja uma ponte entre leitores em trânsito e margens em conexão ao redor do “grão da voz” cuja lição grafa a atmosfera de que “ler é verdadeiramente escrever”, como diria Roland Barthes (1982).

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SIMPÓSIO 05  – LITERATURA IBÉRICA E IBERO-AMERICANA: DIALÉTICAS, INTERFACES E FRONTEIRAS

Coordenadores: Juciane Cavalheiro (UEA) e Mauricio Matos (UEA)

Pretende-se com este simpósio estabelecer um amplo debate acadêmico tendo por objeto as relações que se possam estabelecer entre as literaturas escritas em línguas ibéricas, notadamente as línguas portuguesa e espanhola, bem como aquelas que com estas travam diálogo, tanto na Europa como nas Américas, desde os séculos de Camões e Cervantes até a atualidade. O presente momento é marcado sobretudo por uma intensificação das dialéticas literárias, sobretudo no que concerne às literaturas ibéricas e ibero-americanas, cujos pontos de contato são perceptíveis em ambos os lados do Atlântico, trazendo à evidência diversas potencialidades oriundas dos contatos estabelecidos tanto em sentido sincrônico quanto diacrônico, mais particularmente no que diz respeito aos espaços geográficos e simbólicos, delimitados por suas fronteiras, mas também por suas interfaces e por seus diálogos. Considerando como centrais os papéis assumidos e representados pela literatura e demais artes, como agentes dos processos formadores e mantenedores de identidades culturais, este simpósio pretende abrigar desde a leitura crítica até a reflexão ensaística sobre as mais diversas literaturas e manifestações artísticas, que estejam em consonância com sua proposta.

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SIMPÓSIO 06 – ESTUDOS EM LITERATURA COMPARADA:  DIÁLOGOS E INTERMITÊNCIAS AQUI E NO ALÉM-MAR

Coordenadores: Renata Beatriz Brandespin Rolon (UEA) e Isaac Newton Almeida Ramos (UNEMAT)

O Simpósio Temático Estudos em Literatura Comparada acolherá pesquisas que visam os estudos comparativos críticos, envolvendo obras literárias produzidas nos PALOP (países africanos de língua oficial portuguesa) com outras literaturas escritas em língua portuguesa. Essas literaturas abordam a linguagem tecida pelos fios da imaginação de autores que, no plano ficcional, muitas vezes discutem e reescrevem a história dos seus países. Há nessas literaturas uma (re)configuração dos espaços. Nesses, evidenciam-se os encontros e as diferenças que marcam a identidade dos povos que estão aqui e no além-mar. Percebe-se, então, que o discurso literário, em todas as circunstâncias, serve como aliado na luta que trava dentro e fora da linguagem. O engajamento visível na literatura dos sujeitos desses processos históricos, na luta pela libertação colonial ou pelos direitos do homem, se consolida em caminhos que se abrem para um futuro que projeta novos homens e novas nações. O ST objetiva ainda promover, através do diálogo comparativo, as conexões artísticas que possibilitem o acesso ao mundo que se abre àpolítica, à sociologia, à história, à linguística, à antropologia etc. Acreditamos na força do comparativismo literário para a ampliação do cânone. Em face disso, é importante realinharmos textos que captem a realidade particular, transmitam a percepção deste particular a outras esferas e mantenham a excelência na sua realização formal.

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SIMPÓSIO 07 – LITERATURA SOBRE A AMAZÔNIA: CONTRAPONTOS ONTEM E HOJE

Coordenadores: Maria de Fatima do Nascimento (UFPA) e Hugo Lenes Menezes (IFPI)

A mundialização, surgida ainda nos Oitocentos e atribuída ao cosmopolitismo da época, se converte durante os séculos XX e XXI no processo transnacional da globalização, que, pelo imperialismo, aprofunda a um só tempo a integração e a diferenciação cultural, realçando aspectos étnico-linguístico-religiosos e político-regionais. Esses últimos, estendendo-se ao Positivismo, que embasa o Realismo-Naturalismo, chega ao Modernismo e à Contemporaneidade, após se estabelecer a partir do Romantismo. Aqui, cabe-nos observar, com Antonio Candido, que Franklin Távora acerta quando sente a importância de um levantamento regional e o benefício da ficção pelo contato de uma realidade concretamente demarcada, que serve de limite e em certos casos, no Romantismo, de corretivo à fantasia. Valorizam-se então regiões brasileiras, como o Sertão Nordestino, os Pampas Sulistas e a Amazônia Nortista, sobre a qual ainda temos bastante que aprender. Muitos reconhecem tratar-se de uma região interiorana de diversidade natural e humana, a exemplo das comunidades de indígenas, seringueiros e garimpeiros, mas desconhecem que tal espaço abarca perímetros urbanos de sete estados, com suas especificidades e, portanto, distintos entre si. A própria Amazônia, como um todo, já é internacional. Assim sendo, no simpósio ora proposto e em nível de literatura comparada, objetivamos abrigar trabalhos voltados a representações do ser amazônico, mediante relações de confronto entre as produções estético-verbais acerca da região enfocada, inclusive frente às estruturas globais.

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SIMPÓSIO 08 – LITERATURA DE CAMPO E CRÍTICA POLIFÔNICA: GEOPOESIA, ETNOFLÂNERIE E DIALOGISMOS NOS BRASIS LIMINARES

Coordenadores: Augusto Rodrigues da Silva Junior (UnB) e Ana Clara Magalhães de Medeiros (UFAL)

 

Ao tratar do literário, evocamos fazeres artísticos que partem de espaços plurais em dinâmicas inacabadas da cultura popular. Assim, este Simpósio constitui-se como lócus de problematização de cânones, perante hegemonia intelectual do “litoral e Sudeste” brasileiros. Nossa perspectiva estrutura-se como arena para a difusão de narrativas sistematicamente silenciadas: manifestações do interior, de comunidades quilombolas, de resistências indígenas, de ambientes rurais ou de pequenas cidadesinvisíveis e autores que vão evocando novas construções epistemológicas e ferramentas de análises que facultem abordagens autônomas. A Literatura de campo, que abarca discussões acerca da geopoesia, do centro-periférico, da etnoflânerie, do enfronteiramento busca um pensamento do desassossego que se dissemina na transdisciplinaridade e que entende que as literaturas e culturas brasileiras continuam em formação. No palco do interior, convidamos à cena artistas, intelectuais e pesquisadores que contribuam para a consolidação de um conjunto de ideias responsivas às alteridades múltiplas. Visadas despontadas dos povos cerradeiros, centroestinos, nortistas, sertanejos e outras variáveis de brasis liminares. Raízes e rizomas de um país de culturas espraiadas por veredas, vales, vãos, bacias, planaltos, altiplanos, rios, quilombos, aldeias (e espaços de rexistência). Nesta arena polifônica, arranjam-se vozes de poetas, viajantes, prosadores, etnógrafos, cantores, performers e artistas populares cujas obras perpetuam-se nas entoações, festas, estações e ações da história. Além de escopo responsivo, composto por Benjamin, Bakhtin, Turner e Schechner, evoca-se uma nova composição de retratistasbrasiliários: Augusto Silva Junior, Ana Medeiros, Erivelto Carvalho, Itamar Paulino em diálogo com WillieBolle, Paulo Bezerra, Zaira Turchi. Convidamos para este Simpósio trabalhos sobre literaturas de campo, em gêneros múltiplos (lírica, prosaística, cancioneiro, drama, cinema, relatos, performances etc.), que revelem a pulsão das culturas do interior brasileiro (centro-oeste-norte), a partir de mirada pludiscursiva que apresente corpos, vozes e espaços ligados à arte e ao pensamento crítico dos vãos, cursos e almas do país.

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SIMPÓSIO 09 – VIOLÊNCIA, PODER E GÊNERO EM LITERATURA

Coordenadores: Nicia Petreceli Zucolo (UFAM) e Allison Leão (UEA)

Este simpósio pretende discutir as diversas representações de violência e poder e suas relações com gênero em literatura em diversos contextos, articulados nos eixos história e memória. Entende-se que a temática proposta é fundamental para o desvelamento acerca da manutenção e perpetuação da opressão, envolvendo a tríade que dá título ao simpósio; a discussão também diz respeito às revisões teóricas que vêm ganhando espaço desde a segunda metade do século XX, desnaturalizando, sobretudo, lugares de poder e saber cristalizados que envolvem, principalmente, as questões de gênero. Michel Foucault, em seu Microfísica do poder, entende que o poder funciona em rede, mantendo o indivíduo em estado de “docilidade’, através de discursos e práticas que o transformam, também, em mantenedor de um status quo opressivo e excludente. Ao entender o poder como diferentes relações de opressão e dominação, é notável a extensão de sua rede e, por não ser possível restringi-lo a um ponto, percebe-se a sua manifestação nas mais diversas formas de coação e violência. A perpetuação de determinados sistemas de dominação, subalternizando o que eles entendem como grupos marginais/minorias, só é possível porque há indivíduos que se adaptaram a essas práticas e as endossam, sentindo-se, então, partes do esquema de dominação e poder. Dessa forma, encontrar grupos oprimidos defendendo o opressor não deveria causar espanto, uma vez que o poder é insidioso, estimulando a violência simbólica, por onde passam a opressão de gênero e o racismo, por exemplo. Este simpósio, como mais uma oportunidade de discussão, coordenado pelo grupo Relações de Gênero, Poder e Violência em Literatura (UFAM), em conjunto com o grupo Investigações sobre Memória Cultural em Artes e Literatura (PPGLA-UEA), contemplará trabalhos que articulem uma discussão a partir da literatura a respeito das conexões entre relações de poder e gênero, por meio da violência, tratando sobre trauma, luto, testemunho e memória, a regulação dos corpos e controle da sexualidade.

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SIMPÓSIO 10 – ANÁLISE DO DISCURSO E DA ENUNCIAÇÃO: DIÁLOGOS POSSÍVEIS ENTRE DOIS CAMPOS DE ESTUDOS

Coordenadores: Claudiana Nair Pothin Narzetti Costa (UEA) e Fernanda Dias de los Rios Mendonça (UFAM)

Este simpósio tem por objetivo congregar pesquisas sobre o discurso e a enunciação a partir do referencial teórico da Análise do discurso francesa de orientação materialista ou do Círculo de Bakhtin ou, ainda, de ambos. Trata-se de dois campos de estudos que construíram uma perspectiva e uma abordagem do discurso e da enunciação tal como objetos de natureza concreta, social e histórica, cujas leis de funcionamento não são apenas linguísticas, e que não podem ser atribuídos a um sujeito individual e sua pretendida liberdade de falante. Apesar de os estudos bakhtinianos inserirem-se muito mais no âmbito da filosofia da linguagem, como posicionou-se o próprio Bakhtin (2010 [1979]), é inegável o fato de que muitos postulados da Análise do discurso francesa parecem dialogar com categorias teóricas do Círculo, como é o caso de conceitos como discurso, comunicação e enunciação, voltados mais especificamente às reflexões sobre a concretização da linguagem, ou como os conceitos de relações dialógicas (Círculo de Bakhtin) e interdiscurso (AD) que se voltam mais ao aspecto social e histórico da mesma, diferenciando-se de outras vertentes epistemológicas. Nesse sentido, este simpósio é proposto como espaço de discussão e reflexão sobre esses campos de estudo, com o objetivo de viabilizar a abertura de diálogos entre seus arcabouços teóricos, a partir de possíveis pontos de interseção. Deste modo, espera-se receber propostas de comunicações de pesquisas, em andamento ou concluídas, que tenham por objetivo análises de discursos concretos que privilegiem uma abordagem articulada entre aspectos linguísticos, sociais e históricos do corpus.

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SIMPÓSIO 11 – FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES: A INTERFACE ENTRE PRÁTICAS DE LEITURA, ESCRITA, ORALIDADE E A CONTAÇÃO DE HISTÓRIA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Coordenadores: Isabel Cristina França dos Santos Rodrigues (UFPA) e Francisca Maria Carvalho (IEMCI/UFPA)

A Formação de professores para os Anos Iniciais suscita discussões no âmbito das diferentes áreas do conhecimento, dentre elas destacamos linguagem, matemática e ciências. Neste direcionamento, adotamos o aspecto enunciativo-discursiva da linguagem, uma vez que exerce papel basilar nos diálogos consensuais ou de refutações necessários à formação inicial e continuada para futuros alfabetizadores e docentes dos anos iniciais do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos. Neste ensaio, dedicaremos, especificamente, na relação entre análise crítica do discurso de Norman Fairclough (1992, 1995) e a decolonialidade (WALSH, 2014), posto que há necessidade de avançarmos no processo de visibilidade, inclusão e maior autoria dos sujeitos e valorização dos seus contextos de vida e de atuação profissional, tendo em vista que podem ser tratados temas que, ao longo do processo de colonização foram silenciados. Em função disso, as culturas das comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, surdas e muitas que com elas dialogam pouco têm circulação nas práticas pedagógicas. Nesta perspectiva, este Simpósio possibilita a discussão da relação entre os gêneros discursivos (escritos e orais) e o texto literário, particularmente, a contação de história, para a alfabetização e letramento nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e para a Educação de Jovens e Adultos.

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SIMPÓSIO 12 -LÍNGUAS INDÍGENAS: DOCUMENTAÇÃO, DESCRIÇÃO E ENSINO

Coordenadores: Elder José Lanes (UFRR) e Glauber Romling da Silva (UNIFAP)

Relacionado a área temática do evento: 13- Línguas, poéticas e culturas indígenas, o simpósio temático tem por objetivo ser um espaço de apresentação de trabalhos acadêmicos voltados para, de uma forma articulada, as relações entre os trabalhos de descrição e análise de línguas indígenas brasileira e atividades/ações de educação. Nesse sentido registre-se, nas últimas décadas, o crescimento do número de professores indígenas com formação superior e, mais recentemente, em nível de pós-graduação. Ao mesmo tempo, com o fortalecimento da pós-graduação na área de letras, especialmente na Amazônia, o campo da descrição e análise das línguas indígenas nunca esteve tão em evidência.

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SIMPÓSIO 13 – LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS E EDUCAÇÃO DE SURDOS SOB A PERSPECTIVA DECOLONIAL

Coordenadores: Carlos Roberto Ludwig (UFTO) e  Neila Nunes de Souza (UFTO)

O presente Simpósio Temático visa discutir e problematizar questões sobre a libras e a educação de surdos em uma perspectiva decolonial.  O Brasil hoje possui uma demanda legal extensa que prevê a implementação de políticas linguísticas, educacionais e de acessibilidade envolvendo a comunidade surda. Por isso, é urgente a emergência de reflexões sobre organização da escola, currículo, língua de sinais, bilinguismo, identidades e cultura, na perspectiva da diferença surda. Neste Simpósio serão aceitas pesquisas que envolvem formação de professores e intérpretes de libras para a educação bilíngue; políticas linguísticas e educacionais na educação de surdos; estudos descritivos da libras e outras línguas de sinais; identidades e cultura surda. Ressaltamos a importância da descrição e análise linguística da libras como forma de registro e valorização das identidades e cultura surda local. Essa problemática dialoga diretamente com o estatuto de risco das línguas de sinais apontados por Quadros (2010; 2017). As línguas de sinais nativas e variações linguísticas da libras correm risco de extinção e apagamento, na medida em que a comunidade surda entra em contato com variantes dos grandes centros urbanos, o que consequentemente faz com que a variante local perca espaço e prestígio em detrimento de uma variante mais prestigiada. Por conseguinte, questões como cultura e identidades, que perpassam pela língua, podem também ser desvalorizadas em detrimento de uma constituição cultural e identitária mais hegemônica advinda dos grandes centros urbanos. Nesse sentido, esse simpósio pretende contribuir com discussões sobre a libras e a educação de surdos para uma inclusão social e educacional da comunidade surda.

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SIMPÓSIO 14 – LÍNGUAS E NARRATIVAS INDÍGENAS

Coordenadores: Áustria Rodrigues Brito (UNIFESSPA) e Thiago Silva e Silva (IFMA)

A partir de dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO (2009) a extinção das línguas indígenas é um fato cada vez mais presente no mundo atual. Segundo cálculos feitos pelos especialistas, grande parte dos idiomas atualmente em uso deixará desaparecerá dentro de uma a quatro gerações. Diante disso, é imperioso salvaguardar o maior conhecimento possível dessas línguas, para que a posteridade não perca por completo a riqueza desse aspecto da diversidade humana e da sua herança cultural.  Objetivamos neste Simpósio discutir sobre as ações de vitalização linguística aplicada em algumas comunidades indígenas que se encontram com as línguas em estágio de obsolescência e também apresentar reflexões sobre comunidades indígenas que mantiveram sua língua materna e/ou se tornaram bilíngues. Pretendemos ainda propor análises e interpretações sobre as narrativas orais de algumas comunidades indígenas, investigando as relações entre essas narrativas, a cultura e a identidade de cada comunidade. Partimos de uma perspectiva de que a literatura vai além do texto escrito, alcançando as inúmeras manifestações culturais como o canto e as narrativas tradicionais. Para fomentar essas discussões nos pautamos em Rodrigues (2000, 2005), Maher (2010), Monserrat (2006), Seky (1984), Fishman (1991), Dorian (1989), Crystal (2000) Thomason (2001), Thomason e Kaufman (1988), Hinton (2001), Munduruku (2014), Bonnici (1998), Candido (1995). Nessa esteira, esse Simpósio Temático discutirá aspectos da valorização da oralidade e culturas indígenas, direitos linguísticos, ensino de língua, tanto no que tange à língua portuguesa quanto às línguas indígenas, com o objetivo de contribuir para o fortalecimento de ações sociais de apoio aos grupos ameaçados em seus direitos linguísticos, partindo do pressuposto fundamental de que os diferentes falares e a diversidade linguística são inerentes às sociedades humanas em todo o mundo.

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SIMPÓSIO 15 – MODOS DE APROPRIAÇÃO DO TEXTO LITERÁRIO

Coordenadores: Márcio Araújo de Melo (UFTO) e Luiza Helena Oliveira da Silva (UFTO)

O Simpósio pretende reunir trabalhos resultantes de diferentes abordagens teóricas que tomem o texto literário como objeto, considerando distintos contextos de produção e recepção, no entrecruzamento de modos contemporâneos de sua apropriação e tradução. Isso pode ser exemplificado com a ampla tradução dos clássicos da literatura brasileira para os quadrinhos, a transformação de livros em vídeos, as versões cinematográficas para clássicos ou best-sellers que podem mesmo antecipar a experiência da leitura do texto impresso, a literatura na canção popular, os memes nas redes sociais, ou ainda os usos do texto literário no contexto escolar, o que implica, sob uma perspectiva hoje de caráter aparentemente hegemônico na mobilização de abordagens centradas nos estudos dos gêneros ancorados inicialmente em Bakhtin e que podem reduzir a leitura a uma instância necessária para a apreensão de estruturas genéricas ou a depreensão de contextos imediatos de produção. No último caso, tratar-se-ia das implicações mais pragmáticas advindas de um modo de compreensão do letramento literário ou de uma contaminação dos estudos linguísticos que ganham o espaço no vácuo dos estudos mais diretamente implicados com o lugar da literatura na escola. As questões que orientam nossas reflexões são: i. que perspectivas teóricas concorrem para esses diferentes modos de apropriação e apreensão do literário? ii. quais são as implicações para a leitura advindas desses modos de apropriação?

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SIMPÓSIO 16 – ESTUDOS MORFOSSINTÁTICOS DE LÍNGUAS INDÍGENAS

Coordenadores: Zoraide dos Anjos Gonçalves da Silva Vieira (UFRR) e Marília de Nazaré de Oliveira Ferreira (UFPA)

A tarefa de descrever as línguas indígenas, de modo particular aquelas faladas na região amazônica, é extremamente importante por muitas razões. No que se refere à demografia, muitas delas são faladas por grupos isolados geograficamente nessa região. Dessa maneira, vários processos linguísticos correm risco de desaparecer, assim como as línguas, sem nenhum tipo de documentação linguística (cf. Rodrigues: 2000). A diversidade de famílias linguísticas e línguas isoladas encontradas nessa área, também, é forte justificativa para o desenvolvimento de pesquisas. De acordo com Grinevald (1998: 127), a região amazônica era como uma “caixa-preta linguística”. Duas décadas depois, não se tem, ainda, um trabalho descritivo sobre cada língua indígena da Amazônia. Dessa maneira, a importância de trabalhos descritivos sobre o tema é notada por Dixon&Aikhenvald (1999) que ressaltaram: “um dos editores dedicou diversas décadas a procurar por universais linguísticos. Caso após o caso, assim que achou que tinha conseguido alguma indicação tipológica significativa, um contraexemplo aparecia em sua frente e era invariavelmente de uma língua da Amazônia”. Sendo assim é possível dizer que a ampliação dos estudos linguísticos nessa região contribuirá de forma significativa para a compreensão da linguagem humana. Por essas razões, o presente simpósio tem como objetivo reunir os mais diversos trabalhos na área de morfossintaxe com dados de línguas indígenas.

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SIMPÓSIO 17 – ESTUDOS DA TRADUÇÃO: LITERÁRIA E ESPECIALIDADES, DA TEORIA À PRÁTICA

Coordenadores: Esteban Reyes Celedón (UFAM) e Silvia Helena Benchimol Barros (UFPA)

Tendo em conta que a tradução como atividade filosófica, hermenêutica, inerente à produção intelectual do ser humano e a tradução de textos literários, em particular, têm histórias de muitos séculos (os romanos estudavam e traduziam os clássicos gregos), curiosamente só no passado século XX, surge a preocupação de discutir a tradução e criar tanto uma Teoria quanto uma Crítica da Tradução. A segunda metade do século XX assiste também, em face à necessidade de interlocução das ciências e seus agentes, ao surgimento da tradução de especialidade e suas nuances terminológicas e, ato contínuo, surge o tradutor profissional. Este simpósio pretende reunir trabalhos cuja metodologia esteja centrada na tradução de textos literários – em prosa ou em verso e, de textos de especialidade – com foco nas unidades lexicais especializadas – que resultem do ato de recriar, do “criar novamente”, e do transmitir conhecimentos de forma localizada. A tradução de textos, independente do seu gênero e tipologia, se justifica entre outros aspectos pelo fato de abrir caminhos a outras formas de expressão (em outras línguas, outras culturas, outros lugares e outros tempos históricos), utilizando os recursos de cada língua para articular e confrontar modos de saber e de experiência, permite exercitar a questão da transposição da linguagem formal, técnica, mas também coloquial, das gírias e expressões criadas na fala cotidiana de um grupo de pessoas de um local e uma época específica (sempre presentes em textos literários e igualmente contemplados nos estudos socioterminológicos) e auxiliar no amadurecimento da reflexão teórica acerca de aspectos específicos da tradução. Assim, este simpósio pretende proporcionar um espaço de discussão e reflexão, visando identificar as diferentes estratégias utilizadas por cada tradutor na recriação de textos literários e na transposição intra e interlinguística de textos de áreas específicas do conhecimento, e as escolhas e implicações que surgem do ato tradutório.

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SIMPÓSIO 18 – ESTUDOS DO LÉXICO E DA ONOMÁSTICA NA REGIÃO NORTE

Coordenadores: Karylleila dos Santos Andrade Klinger (UFTO) e Alexandre Melo de Sousa (UFAC)

O léxico reflete a cultura de um povo pela forma como se dá o processo de nomeação de dada realidade, permitindo a identificação de traços linguístico-sociais nas práticas interacionais cotidianas. A língua, percebida como um sistema aberto, está sempre propensa às transformações pelas quais a sociedade passa. Para compreender o constante movimento da língua é preciso ter em mente que o seu uso leva a variações e essas produzem determinadas mudanças. Uma forma de pensar o estudo do léxico, portanto, é associando as palavras e as expressões aos diferentes níveis. Em português, há muitas diferenças no uso da língua, especialmente na fala, que são perceptíveis no léxico, na pronúncia e na composição de frases. Por ser a língua dinâmica, é natural a existência de variações que decorrem de fatores como a região geográfica, o nível cultural, a idade, a classe social, o sexo e o contexto. Este simpósio tem como objetivo divulgar e socializar pesquisas relacionadas ao estudo do léxico, desenvolvidas na região Norte do país. A Lexicologia tem como uma de suas tarefas examinar as relações do léxico de uma dada língua com o universo natural, social e cultural, a transposição de uma realidade infinita e contínua a um número de lexias. Procura abordar a palavra como instrumento de construção e detecção de uma cosmovisão, de um sistema de valores, como geradora e reflexo de recortes culturais. Também é objetivo do evento apresentar pesquisas, finalizadas ou em andamento, vinculadas à área da Onomástica, uma subárea da Lexicologia, que estuda os nomes próprios e que se subdivide em Toponímia e Antroponímia.

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SIMPÓSIO 19 – CIDADES, FLORESTAS E RIOS EM FRONTEIRAS AMAZÔNICAS E PAN-AMAZÔNICAS: MEMÓRIAS, LITERATURAS, HISTÓRIAS E OUTRAS ARTES

Coordenadores: Gerson Rodrigues de Albuquerque (UFAC) e Francisco Bento da Silva (UFAC)

Situadas em tempos e contextos a agregar temporalidades e espacialidades, tradições e modernidades, localidades e globalidades, diferentes narrativas históricas e literárias permitem leituras capazes de adentrar variados ambientes, onde populações locais ou em deslocamentos inscrevem, em seus enfretamentos cotidianos, todo um modo de vida e de luta, representados em patrimônios materiais, imateriais, afetivos, práticas de trabalho, religiosidades, sociabilidades que exigem e forjam a construção de projetos sociais alternativos para defender suas existências. Em relações quase sempre desiguais, grupos nativos e diaspóricos, misturando-se em diferentes tempos e espaços nas florestas e cidades das muitas Amazônias, desde há muito, se encontram e se confrontam com epistemologias eurocentradas, defendendo, em meio às tensões e conflitos presentes nos contatos e intercâmbios culturais, interesses e necessidades orientadas por cosmologias esquadrinhadas em seus universos culturais. Os diálogos e estudos de diferentes pesquisadores dos mundos amazônicos vêm procurando colocar em evidência práticas culturais e modos de vida gestados em condições peculiares de relação cultura-natureza. A partir desses estudos procuramos definir as noções de patrimônios, histórias e literaturas que tematizam este Simpósio Temático, notadamente, sob perspectivas abertas pelos Estudos Culturais. A proposta é pensar cidades, florestas e rios como espaços/tempos multifacetados nos quais são alinhavadas experiências de mulheres crianças e homens de distintas camadas sociais e componentes étnicos em mediações e confrontos socioculturais. No âmbito de redes de relacionamentos, estruturas de sentimentos e processos de apropriação/incorporação interculturais, as memórias, literaturas, histórias e outras artes são pensadas como suportes para acompanharmos vivências/experiências/resistências de grupos sociais em suas reinvenções de valores, comportamentos e tradições, bem como espaços e territorialidades que produzem, renovam ou refazem modos de vida e de luta. Nesse sentido, ganham relevância as linguagens e narrativas orais, escritas e imagéticas – potencializadoras de vozes, performances, imaginários, viveres, saberes e fazeres – que permitem incursões em trajetórias individuais e coletivas em contínuos diálogos com identidades e alteridades.

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SIMPÓSIO 20 – PROCESSOS SOCIOCOGNITIVOS E CULTURAIS EM NARRATIVAS AMAZÔNICAS

Coordenadores: Heliud Luis Maia Moura (UFOPA) e Maria Aldenira Reis Scalabrin (UFOPA)

Entendendo que as atividades de referenciação constituem um conjunto de processos variados e complexos, é importante destacar, consoante as postulações de autores voltados para esse fenômeno, que estas incluem componentes culturais relevantes, embutidos na base da interpretação de sentidos veiculados pelas interações sociais. Logo, as produções textual-discursivas são instrumentos portadores de estruturas conceitual-culturais que permeiam as mensagens realizadas pelos diversos interactantes. Assim, é válido dizer que as expressões referenciais são formas por meio das quais essas estruturas conceituais são reconstruídas, passando a veicular: conceitos, pré-conceitos, tabus, interpretações acerca de relações sociais diversas, sentidos atribuídos a certos referentes, significados ligados a relações espaciais e temporais, significados resultantes de recategorização de referentes de âmbito cultural, dentre outros elementos conceituais associados às práticas das comunidades em que circulam as mencionadas produções textuais. O presente Simpósio Temático tem como objetivo reunir os mais diversos trabalhos na área de linguagens, narrativas e culturas populares, especialmente os vinculados aos seguintes temas: narrativas amazônicas, processos sociocognitivos, repredicação de referentes; processos anafóricos; uso de expressões hiperonímicas/meronímicas; emprego de elementos contextualizadores; emprego de expressões nominais definidas e indefinidas caracterizadoras de eventos e personagens; uso de proposições metaenunciativas; utilização de rótulos sumarizadores/encapsuladores; utilização de construções metadiscursivas; uso de formas reificadas de referenciação de referentes; emprego de marcadores temporais; utilização de marcadores dêitico-espácio-referenciais, dentre outros recursos que entram na composição de processos referenciais e que se manifestam como elementos veiculadores das estruturas básicas de sentido exigidas pelas práticas textuais, no âmbito das atividades culturais em mobilização no universo biossocial amazônico.

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SIMPÓSIO 21 – ESTUDOS DE RETÓRICA, GRAMÁTICA E ESTILÍSTICA

Coordenadores: Carlos Renato Rosário de Jesus (UEA)e Juciane Cavalheiro (UEA)

Este simpósio reunirá trabalhos que desenvolvam pesquisas sobre temas relativos à Retórica e Argumentação, preferencial mas não exclusivamente direcionados ao período clássico greco-romano, abordando conceitos, sistemas e instrumentos hermenêuticos e heurísticos acerca dos elementos retóricos presentes em textos da Antiguidade ou posteriores. Como refinamento dessa abordagem, o simpósio também acolherá trabalhos tematizando questões relativas à noção de Gramática, de sua origem aos nossos dias, seja em seu aspecto histórico-teórico, seja em seu aspecto crítico-pedagógico. Incursões, nessa mesma linha, a problemas de estilística e metalinguagem artística em línguas naturais também entrarão no escopo deste grupo.

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SIMPÓSIO 22 – ESTUDOS DE FONÉTICA, FONOLOGIA E PROSÓDIA DAS LINGUAS NATURAIS

Coordenadores: Valteir Martins (UEA) e Carlos Renato Rosário de Jesus (UEA)

O Simpósio abrigará estudos comparativos, descritivos ou interpretativos na área de aquisição e aprendizagem de línguas, relacionados à área da Fonética/Fonologia, bem como seus alcances prosódicos. Esse espaço será destinado para a discussão de trabalhos que se pautem na língua portuguesa, nas línguas estrangeiras diversas (sendo essas L2 ou não), nas línguas indígenas, bem como em dialetos amazônicos e na investigação de fenômenos fonológicos presentes nessas línguas, a partir da reflexão sobre os processos que devem ser destacados nos estudos dessa área da Linguística.

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SIMPÓSIO 23 – ESTUDOS SOBRE LÍNGUAS DA FAMILIA KARIB

Coordenadores: Angela Fabiola Alves Chagas (UFPA) e Eduardo Alves Vasconcelos (UNIFAP)

A família linguística Karib é uma das mais importantes da América do Sul, tanto pelo seu grande número de línguas (40 a 60), quanto pela sua extensão territorial, que vai desde a Colômbia, passando pelo Brasil, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname (FABRE, 2005). Grande parte das línguas dessa família já está extinta e dentre as que restam, muitas possuem menos de 500 falantes, o que as deixa expostas também a um grande risco de extinção. Apesar da grande importância da família, pouco ainda se sabe sobre ela. A falta de conhecimento sobre a família vai desde o problema dos nomes das línguas (pois pesquisadores diferentes deram nomes diferentes para os mesmos grupos étnicos/línguas) até o status linguístico de cada uma delas, pois em alguns casos não há certeza se se tratam de línguas ou codialetos, o que traz como consequência a grande variação no número de línguas pertencentes à família. Em termos gerais, a família possui diversas características que interessam à Tipologia Linguística. Sobre a fonologia, podemos citar, por exemplo, processos de redução silábica, alternância vocálica sonorização e lenição de obstruintes. Em relação a aspectos gramaticais, a família possui sete sistemas verbais de orações independentes bastante diferentes entre si, línguas com marcação de caso ergativo, bem como outras com alinhamento (direto-)inverso, condicionado por hierarquia de pessoa; além da possibilidade da existência de classificadores genitivos em línguas como o Panare, Apalaí, Kuikuro, Tiriyó e Ikpeng; ordem sintática OVS, dentre outros aspectos relevantes. O objetivo deste Simpósio é possibilitar o encontro e a discussão de pesquisas que investiguem diferentes aspectos gramaticais da família Karib, com o intuito de contribuir para um maior e melhor conhecimento desta. Serão bem-vindos trabalhos de diferentes enfoques teóricos.

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SIMPÓSIO 24 – ALFABETIZAÇÃO NA AMAZÔNIA: ORALIDADE, LEITURA, ESCRITA E LITERATURA INFANTIL E JUVENIL NO SERTÃO DAS ÁGUAS

Coordenadores: Elizabeth Orofino Lucio (UFPA-IEMCI) e Selma Costa Pena (UFPA-ICED)

A Amazônia se configura como cenário de grande biodiversidade e nos remete a um imaginário de amplitude, exuberância, imensidão. É esta imagem que se transfigura em realidade quando são percorridos os seus rios, igarapés, lagos e furos, tal é sua extensão e riqueza, até mesmo para quem é nascido nessa região. A Amazônia ainda tem muito de desconhecido e, entre os espaços-tempos a serem conhecidos, incluímos o trabalho pedagógico do processo de alfabetização de amazônidos das áreas metropolitanas, ribeirinhas, quilombolas e indígenas. Este simpósio temático está aberto aos estudos de oralidade, leitura, escrita e literatura infantil e juvenil que focalizem o trabalho de alfabetização escolar no contexto amazônico, tomando como alicerce a cultura escrita/escolarização e a alfabetização na perspectiva discursiva (SMOLKA, 2003). Os estudos poderão versar sobre: 1. formação de professores alfabetizadores; 2. o papel da literatura infantil e juvenil nas práticas de alfabetização, focalizando particularmente investigações que validem ações com texto literário numa proposição de formação para cultura escrita, bem como aquelas que problematizam as políticas públicas de leitura para alfabetização como PNAIC, PNLL e PNBE, PNLD Literário; 3.  escrita de textos por crianças em anos iniciais da escolaridade e/ou com dificuldades neste campo da linguagem; e 4. concepções de professores sobre a escrita e as ações didáticas que propõem com o objetivo de promover a escrita de textos em sala de aula. Os trabalhos podem ser de natureza empírica e aplicada, cujos resultados e reflexões contribuam para a compreensão da alfabetização, do trabalho com literatura infantil e juvenil, e a produção escrita de textos, das dificuldades experimentadas pelo escritor iniciante e para a promoção de práticas educacionais capazes de desenvolver a habilidade de produzir textos escritos.

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Formulário e instruções para submissão de COMUNICAÇÃO ORAL em Simpósio Temáticos